08/03/08
Saber não custa nada, nem para a Prefeitura de Itaúna
Jean Carlos Antônio da Silva- Secretário do PSC de Itaúna
Nessa semana que se finda fui azoinado por uma surpresa que me estarreceu: um panfleto distribuído aparentemente pela Prefeitura de Itaúna que trazia algumas (des)informações sobre o amianto e um convite para a participação de uma Audiência Pública realizada na Câmara Municipal.
Eu, particularmente, sempre parto da premissa que como derrotado politicamente pelo governo em voga devo aceitar o ostracismo e não me opor veementemente a nenhum assunto por mais estapafúrdio que me pareça. Prova do meu pensamento é que não escrevi absolutamente nada sobre o descaso com o Teatro Municipal, nem da paralisação das obras da Igreja do Rosário, nem da CPI dos trilhos e muito menos da quantidade absurda de pessoas vindas de outras cidades que tomaram postos de trabalho dos filhos legítimos de nossa Terra. Mas, sinceramente neste momento não posso deixar passar incólume um acinte à inteligência social como o proposto pelos donatários do poder local.
Entrementes, a (des)informação veiculada pelo papel, me fez ser tomado de uma cólera sem precedentes quanto ao atual (des)governo. Nele, o convite trazia uma chamada que dizia que durante anos, algumas adutoras que são utilizadas pelo SAAE são de amianto. Até aí nenhum dado que não fosse verdade. Esse mesmo panfleto dizia em letras garrafais que Itaúna tem um dos mais altos índices de câncer do Estado de Minas Gerais fazendo uma correlação entre a mazela e o uso de amianto na distribuição de água.
Confesso que nesse instante fiquei paralisado com a possibilidade de se tratar de um assunto sério e digno de respeito. Mas, com o passar do tempo e recobrando a consciência e inteligência raciocinei melhor e lembrei-me das aulas de biologia que tive ainda na 8ª serie do Ensino Fundamental postando-me a pesquisar mais sobre o assunto para não incorrer em sandices. De acordo com dois links da rede mundial de computadores (internet) os quais cito nominalmente para futuras consultas: http://www.ecivilnet.com/artigos/amianto.htm e http://www.quiprocura.net/amianto.htm, a fibra de asbesto (amianto) ao ser inspirada, involuntariamente, durante anos, pode provocar danos pulmonares. A inalação ao longo do tempo fomenta um enovelamento que ocupa espaços pulmonares culminando no "emparedamento" que dificulta a respiração podendo causar a morte do indivíduo.
O dano ocorre a quem aspira e não quem se vale de insumos confeccionados com amianto. Se fosse verdadeira a afirmação do possível panfleto, um percentual maior ainda de pessoas estaria sendo acometidas pelo câncer haja vista que quase todas as residências possuem caixas d’água ou mesmo telhas do produto.
Recentemente acompanhei um caso de câncer em um amigo. Diante dessa assertiva do panfleto teoricamente distribuído pela Prefeitura, o câncer poderia tê-lo acometido em decorrência do uso da água distribuída pela concessionária. Diante desse prisma acredito que ele devesse acionar juridicamente a Prefeitura, o Prefeito, os Secretários ou quem quer que seja cobrando dos mesmos todas as expensas provenientes de seu tratamento.
O mesmo poderia ser aplicado a todos os leitores desse texto. Parto da premissa que, se, a própria Prefeitura admite essa possibilidade aventando-a em seu panfleto caberia a todos os atingidos pelo câncer uma ação coletiva contra os dirigentes locais por saberem de tal informação e não tomarem as devidas precauções visando a saúde pública levando-os aos rigores da lei configurando-se num descaso com a população que paga rigorosamente em dia suas contas.
A famigerada Audiência Pública realizada na derradeira quarta-feira, mais pareceu um "talk-show". O excelentíssimo Senhor Prefeito ficou de posse do microfone e a cada fala dos munícipes presentes fazia uso da palavra ora posta favoravelmente a seus interesses, ora contrária. Ponto negativo para o até então isento e douto Senhor Presidente da Câmara, Antônio de Miranda que não teve denodo de limitar os acessos de estrelismo do morubixaba local. Enfim, o que deveria ser um encontro de alto nível virou um picadeiro de perguntas sem respostas e muita desinformação.
Os verdadeiros representantes do povo itaunense, os vereadores, devem fazer jus a seus altos salários e mordomias e chamarem pra si a responsabilidade de coadunarem ou não com um empréstimo financeiro em ano eleitoral e não delegarem à população a tarefa de arcarem com os ônus que ficarão para as próximas gestões.
Em ano eleitoral se avolumam as ações obreiras e politiqueiras. Muito estranho que em três anos de mandato essa preocupação não tenha vindo em momento algum anteriormente e somente agora, aos umbrais de um novo pleito, seja colocado para a população de forma abrupta e sensacionalista uma informação capaz de causar comoção social e uma corrida desenfreada a ações judiciais cobrando do Poder Público todos os gastos advindos de tratamentos cancerígenos.
Por fim, espero que venha a baila essa discussão sobre câncer e as informações verdadeiras sejam postas para toda população de forma transparente sem terrorismo e uso eleitoreiro, muito comum a postulantes eletivos.