Nessa semana que se finda fui azoinado por
uma surpresa que me estarreceu: um panfleto distribuído
aparentemente pela Prefeitura de Itaúna que trazia algumas (des)informações
sobre o amianto e um convite para a participação de uma
Audiência Pública realizada na Câmara Municipal.
Eu, particularmente, sempre parto da
premissa que como derrotado politicamente pelo governo em voga
devo aceitar o ostracismo e não me opor veementemente a nenhum
assunto por mais estapafúrdio que me pareça. Prova do meu
pensamento é que não escrevi absolutamente nada sobre o
descaso com o Teatro Municipal, nem da paralisação das obras
da Igreja do Rosário, nem da CPI dos trilhos e muito menos da
quantidade absurda de pessoas vindas de outras cidades que
tomaram postos de trabalho dos filhos legítimos de nossa Terra.
Mas, sinceramente neste momento não posso deixar passar
incólume um acinte à inteligência social como o proposto
pelos donatários do poder local.
Entrementes, a (des)informação veiculada
pelo papel, me fez ser tomado de uma cólera sem precedentes
quanto ao atual (des)governo. Nele, o convite trazia uma chamada
que dizia que durante anos, algumas adutoras que são utilizadas
pelo SAAE são de amianto. Até aí nenhum dado que não fosse
verdade. Esse mesmo panfleto dizia em letras garrafais que
Itaúna tem um dos mais altos índices de câncer do Estado de
Minas Gerais fazendo uma correlação entre a mazela e o uso de
amianto na distribuição de água.
Confesso que nesse instante fiquei
paralisado com a possibilidade de se tratar de um assunto sério
e digno de respeito. Mas, com o passar do tempo e recobrando a
consciência e inteligência raciocinei melhor e lembrei-me das
aulas de biologia que tive ainda na 8ª serie do Ensino
Fundamental postando-me a pesquisar mais sobre o assunto para
não incorrer em sandices. De acordo com dois links da rede
mundial de computadores (internet) os quais cito nominalmente
para futuras consultas: http://www.ecivilnet.com/artigos/amianto.htm
e http://www.quiprocura.net/amianto.htm, a fibra de asbesto
(amianto) ao ser inspirada, involuntariamente, durante anos,
pode provocar danos pulmonares. A inalação ao longo do tempo
fomenta um enovelamento que ocupa espaços pulmonares culminando
no "emparedamento" que dificulta a respiração
podendo causar a morte do indivíduo.
O dano ocorre a quem aspira e não quem se
vale de insumos confeccionados com amianto. Se fosse verdadeira
a afirmação do possível panfleto, um percentual maior ainda
de pessoas estaria sendo acometidas pelo câncer haja vista que
quase todas as residências possuem caixas d’água ou mesmo
telhas do produto.
Recentemente acompanhei um caso de câncer
em um amigo. Diante dessa assertiva do panfleto teoricamente
distribuído pela Prefeitura, o câncer poderia tê-lo acometido
em decorrência do uso da água distribuída pela
concessionária. Diante desse prisma acredito que ele devesse
acionar juridicamente a Prefeitura, o Prefeito, os Secretários
ou quem quer que seja cobrando dos mesmos todas as expensas
provenientes de seu tratamento.
O mesmo poderia ser aplicado a todos os
leitores desse texto. Parto da premissa que, se, a própria
Prefeitura admite essa possibilidade aventando-a em seu panfleto
caberia a todos os atingidos pelo câncer uma ação coletiva
contra os dirigentes locais por saberem de tal informação e
não tomarem as devidas precauções visando a saúde pública
levando-os aos rigores da lei configurando-se num descaso com a
população que paga rigorosamente em dia suas contas.
A famigerada Audiência Pública realizada
na derradeira quarta-feira, mais pareceu um "talk-show".
O excelentíssimo Senhor Prefeito ficou de posse do microfone e
a cada fala dos munícipes presentes fazia uso da palavra ora
posta favoravelmente a seus interesses, ora contrária. Ponto
negativo para o até então isento e douto Senhor Presidente da
Câmara, Antônio de Miranda que não teve denodo de limitar os
acessos de estrelismo do morubixaba local. Enfim, o que deveria
ser um encontro de alto nível virou um picadeiro de perguntas
sem respostas e muita desinformação.
Os verdadeiros representantes do povo
itaunense, os vereadores, devem fazer jus a seus altos salários
e mordomias e chamarem pra si a responsabilidade de coadunarem
ou não com um empréstimo financeiro em ano eleitoral e não
delegarem à população a tarefa de arcarem com os ônus que
ficarão para as próximas gestões.
Em ano eleitoral se avolumam as ações
obreiras e politiqueiras. Muito estranho que em três anos de
mandato essa preocupação não tenha vindo em momento algum
anteriormente e somente agora, aos umbrais de um novo pleito,
seja colocado para a população de forma abrupta e
sensacionalista uma informação capaz de causar comoção
social e uma corrida desenfreada a ações judiciais cobrando do
Poder Público todos os gastos advindos de tratamentos
cancerígenos.
Por fim, espero que venha a baila essa
discussão sobre câncer e as informações verdadeiras sejam
postas para toda população de forma transparente sem terrorismo
e uso eleitoreiro, muito comum a postulantes eletivos.