ArcelorMittal Brasil investe mais US$ 1,6 bi em aços
longos
A alta das vendas de aços longos no Brasil tem estimulado
as siderúrgicas que atuam neste segmento de mercado a realizar
investimentos para ampliar a produção.
Luciana Collet
A alta das vendas de aços longos no Brasil tem estimulado as
siderúrgicas que atuam neste segmento de mercado a realizar
investimentos para ampliar a produção. Ontem a ArcelorMittal
informou que vai aplicar US$ 1,6 bilhão para aumentar a
capacidade de produção de aços longos no Brasil em 65%, para
6,5 milhões de toneladas. "Esse aumento na capacidade de
produção, particularmente na produção de fio-máquina,
vergalhões e barras, assim como de perfis médios e pesados,
reconhece o importante potencial de crescimento do mercado
doméstico e nosso comprometimento de investir no Brasil",
afirmou em comunicado Gonzalo Urquijo, membro do conselho de
administração da ArcelorMittal e responsável pelo segmento de
produtos longos.
O anúncio ocorreu um dia depois de o grupo Gerdau informar
que está estudando a instalação de uma usina para produzir
até 1 milhão de toneladas de vergalhão em Pernambuco e que
vai aplicar US$$ 277 milhões na ampliação da capacidade da
Açominas em 500 mil toneladas, dentre outros projetos já em
andamento.
Somente no primeiro semestre deste ano, as vendas de aços
longos cresceram 27% na comparação com igual período do ano
passado, antecipou na quarta-feira o presidente da Gerdau,
André Gerdau Johannpeter. O dado oficial será divulgado semana
que vem pelo Instituto Brasileiro Siderurgia (IBS). Segundo o
instituto, de janeiro a maio, levantamento mais recente
disponível, as vendas internas de laminados longos subiu 26,5%
ante igual período de 2007, para 3,73 milhões de toneladas.
Já as vendas de produtos semi-acabados longos, como blocos e
tarugos, aumentaram 25,7%, para 153,5 mil toneladas. Como a
produção cresceu em ritmo menor - 13,6% no caso dos laminados
e leve queda, de 0,2%, nos semi-acabados - as exportações de
laminados longos caíram 12,3%, para 690,7 mil toneladas,
enquanto as vendas externas de blocos e tarugos foram reduzidas
em 18,5%, para 569,6 mil toneladas.
Normalmente as usinas siderúrgicas trabalham capacidade
ociosa abaixo de 10%, mas Johannpeter disse que algumas das
unidades do grupo já operam na capacidade nominal, o que torna
a necessidade de investimentos em ampliação ainda mais
urgentes.
O presidente mundial da ArcelorMittal, Lakshmi Mittal, já
havia anunciado, no final do ano passado, investimentos de US$ 5
bilhões no País até 2012. Deste total, US$ 1,2 bilhão já
estavam previstos para a duplicação da capacidade de
produção da unidade de João Monlevade (MG) para 2,4 milhões
toneladas de aços longos, projeto que esteve em estudo tempos
antes, foi retomado e agora, com as obras em andamento, tem a
previsão de começar a operar até o final de 2010. Agora a
empresa anunciou o destino de mais uma parcela do montante
informado pelo bilionário indiano.
Conforme comunicado divulgado pela sede da ArcelorMittal, em
Luxemburgo, os recursos serão aplicados na construção de dois
novos alto-fornos, com capacidade total de 400 mil toneladas, em
um forno elétrico, com capacidade de 1,2 milhão de toneladas e
na ampliação de um forno existente. Além disso, serão
instalados três laminadores, com capacidade total de 1,67
milhão de toneladas, para produzir barras especiais para a
indústria automobilística, vergalhões e perfis médios e
pesados, ambos usados na construção civil e na indústria
automotiva.
Todas as instalações deverão ser concluídas em até 30
meses, informou a empresa. A localização de cada uma das novas
linhas não foi divulgada. "Os locais de implantação
destes investimentos serão anunciados tão logo sejam
concluídos os estudos de viabilidade que já se encontram em
andamento", informou a ArcelorMittal. Dentre as unidades da
companhia no Brasil que podem receber o investimento estão a
unidade de João Monlevade, além de Cariacica (ES), Piracicaba
(SP) e Juiz de Fora (MG). A ampliação da unidade de Itaúna
(BA) neste momento não está sendo cogitada. Também foram
excluídas desse investimento as trefilarias, localizadas em
Sabará (MG) e São Paulo.
Atualmente a ArcelorMittal Aços Longos, controlada da
ArcelorMittal Brasil que administra as operações de aços
longos no Brasil, na Costa Rica, em Trinidad Tobago e na
Argentina, produz 6,5 milhões de toneladas. Com a expansão, a
produção da controlada atingirá 9,1 milhões de toneladas
até 2011. Além disso, a ArcelorMittal Brasil produz no País
mais 7,5 milhões de aços planos, totalizando 14 milhões de
toneladas. O grupo também controla a ArcelorMittal Inox Brasil
(ex-Acesita).
Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3 - 8 de Agosto de 2008