13/09/08
MP interdita clínica psiquiátrica em Itaúna
Várias irregularidades foram detectadas, inclusive maus tratos aos pacientes
Na manhã do último sábado, 6 de setembro, a Promotora de Justiça, Dra. Fernanda Honingmann Rodrigues nomeou o secretário municipal de Saúde, José Oscar Júnior, como interventor provisório da clínica Clinips (antiga Caexe). A entidade, que atende pacientes portadores de sofrimento mental, estava sendo investigada após várias denúncias, dentre elas maus tratos e apropriação indevida de benefícios dos internos. A intervenção se dará num prazo estimado, inicialmente, de 60 dias.
O secretário de Saúde disse que foi feito um relatório médico e social dos assistidos e constatou-se que 90% dos pacientes estão com desnutrição e anemia. A clínica não tinha equipe médica responsável pelos pacientes, 23 internos, 14 deles de outros municípios e 9 de Itaúna.
Em conversa com a imprensa na última segunda-feira, quando oficializou a nomeação de José Oscar como interventor, Dra. Fernanda Honigmann contou que recebeu várias denúncias, através da Vigilância Sanitária e de cidadãos comuns. Os relatos indicavam irregularidades cometidas pelos donos da clínica. Havia até a possibilidade de uma mudança da estrutura para a cidade de Mateus Leme. A Promotora entrou com uma ação civil pública, solicitando o afastamento dos diretores e a não transferência de pacientes.
Uma vistoria nas dependências do local foi realizada pelo Corpo de Bombeiros, constatando vários problemas. A Secretaria de Saúde está organizando um levantamento completo (relatório médico, social e psicológico) sobre a situação de cada interno. O interventor já colocou assistentes sociais, psicólogas, nutricionista, agente de saúde e serviços odontológicos à disposição para os devidos atendimentos.
Uma das irregularidades mais graves é relativo à forma de recebimento de valores. Segundo relatos, a clínica estava atuando na clandestinidade e por isso não havia uma conta específica da empresa, algo que deve ser apurado nos próximos dias por meio de um inquérito policial para verificar onde o dinheiro estaria sendo depositado e como os valores eram utilizados, se somente para a manutenção da entidade ou se era destinado para outras finalidades.
Outras irregularidades foram enumeradas pela promotora Dra. Fernanda como homens e mulheres no mesmo local, geladeiras sem alimentos, falta de acompanhamento médico, objetos cortantes a mostra. Caso seja comprovado todas as irregularidades, o diretor da clínica, Gilberto Lopes, poderá responder criminalmente por crime de maus tratos e apropriação indébita. Conforme informações, o dirigente da clínica Gilberto Lopes, não aceitava trabalhos voluntários. Foi constatado que o nome do sogro de Gilberto estava nos documentos da clínica como sócio do diretor da empresa, mas ele sofre de problemas mentais e estava internado na clínica.
Os trabalhos se concentrarão no retorno dos internos para suas famílias ou na transferência deles para entidades mais adequadas. Outra proposta é a abertura de inquérito criminal, para averiguação das responsabilidades dos antigos dirigentes e seus avalistas.