MP interdita clínica psiquiátrica em
Itaúna
Várias irregularidades foram
detectadas, inclusive maus tratos aos pacientes
Na manhã do último sábado, 6 de setembro,
a Promotora de Justiça, Dra. Fernanda Honingmann Rodrigues nomeou o
secretário municipal de Saúde, José Oscar Júnior, como interventor
provisório da clínica Clinips (antiga Caexe). A entidade, que atende
pacientes portadores de sofrimento mental, estava sendo investigada após
várias denúncias, dentre elas maus tratos e apropriação indevida de
benefícios dos internos. A intervenção se dará num prazo estimado,
inicialmente, de 60 dias.
O secretário de Saúde disse que foi feito
um relatório médico e social dos assistidos e constatou-se que 90% dos
pacientes estão com desnutrição e anemia. A clínica não tinha equipe
médica responsável pelos pacientes, 23 internos, 14 deles de outros
municípios e 9 de Itaúna.
Em conversa com a imprensa na última
segunda-feira, quando oficializou a nomeação de José Oscar como
interventor, Dra. Fernanda Honigmann contou que recebeu várias
denúncias, através da Vigilância Sanitária e de cidadãos comuns. Os
relatos indicavam irregularidades cometidas pelos donos da clínica. Havia
até a possibilidade de uma mudança da estrutura para a cidade de Mateus
Leme. A Promotora entrou com uma ação civil pública, solicitando o
afastamento dos diretores e a não transferência de pacientes.
Uma vistoria nas dependências do local foi
realizada pelo Corpo de Bombeiros, constatando vários problemas. A
Secretaria de Saúde está organizando um levantamento completo
(relatório médico, social e psicológico) sobre a situação de cada
interno. O interventor já colocou assistentes sociais, psicólogas,
nutricionista, agente de saúde e serviços odontológicos à disposição
para os devidos atendimentos.
Uma das irregularidades mais graves é
relativo à forma de recebimento de valores. Segundo relatos, a clínica
estava atuando na clandestinidade e por isso não havia uma conta
específica da empresa, algo que deve ser apurado nos próximos dias por
meio de um inquérito policial para verificar onde o dinheiro estaria
sendo depositado e como os valores eram utilizados, se somente para a
manutenção da entidade ou se era destinado para outras finalidades.
Outras irregularidades foram enumeradas pela
promotora Dra. Fernanda como homens e mulheres no mesmo local, geladeiras
sem alimentos, falta de acompanhamento médico, objetos cortantes a
mostra. Caso seja comprovado todas as irregularidades, o diretor da
clínica, Gilberto Lopes, poderá responder criminalmente por crime de
maus tratos e apropriação indébita. Conforme informações, o dirigente
da clínica Gilberto Lopes, não aceitava trabalhos voluntários. Foi
constatado que o nome do sogro de Gilberto estava nos documentos da
clínica como sócio do diretor da empresa, mas ele sofre de problemas
mentais e estava internado na clínica.
Os trabalhos se concentrarão no retorno dos
internos para suas famílias ou na transferência deles para entidades
mais adequadas. Outra proposta é a abertura de inquérito criminal, para
averiguação das responsabilidades dos antigos dirigentes e seus
avalistas.