27/09/08
O PROER americano e a covardia dos homens
Flávio Riani
Não sou nenhum filósofo e muito menos um analista social de elevada formação, mas causa-me mal estar ao ver a covardia dos homens e suas atitudes perante as diversas situações nas quais ele é chamado a dar sua contribuição.
O mundo financeiro e o mundo capitalista não têm dormido nos últimos dias em função da crise, que já era anunciada e esperada, no mercado norte-americano. Da noite pro dia, desesperaram-se os grandes aplicadores das bolsas de valores, os especuladores de moedas internacionais, os especuladores das melhores taxas de juros para rendimentos de seus capitais. Alguns empresários também começaram a ter mais incertezas quanto ao retorno e as possibilidades de investimentos em andamento ou programados para o curto prazo.
Como se tratava do mundo financeiro deixou-se de lado as discussões sobre a filosofia econômica e política sobre a atuação do governo. De uma hora para outra não estava em pauta a discussão sobre mais liberalismo ou mais intervenção do governo. O que se procurou foi utilizar, uma vez mais, o setor público para preservar seus capitais. De repente, o setor público que era, em diversos países, o mau de suas debilidades econômicas e financeiras passou a ser a solução de seus problemas. Nos Estados Unidos, a campanha política presidencial deixou de ser o fato mais relevante para o país, e os noticiários e as discussões voltaram-se para o problema da crise financeira e das discussões sobre como resolvê-los.
Rapidamente os grandes aplicadores financeiros e os grandes capitalistas conseguiram coisa não muito fácil de realizar: uma mobilização mundial, envolvendo bancos centrais de diversos países. Num período rápido, também sem precedentes, fez com que os governos dos países canalizassem recursos financeiros, a maioria deles de origem tributárias, para salvar seus capitais.
O grande apelo apresentado para tal fato tem sido a possível recessão nas atividades econômicas americanas e, por conseguinte, nos demais países que participam mais ativamente do mercado internacional.
Apesar de ter noção dos efeitos que a crise financeira americana pode provocar sobre a economia mundial, a pergunta que se deve fazer é a seguinte: efetivamente quem perde com esta crise?
Seguramente os países pobres, os pobres americanos, os africanos miseráveis, os nordestinos e os favelados brasileiros sofreriam apenas os efeitos residuais desta crise.
Entretanto, esses indivíduos e uma grande parte da população brasileira e mundial vêm, há anos, sofrendo pela falta dos elementos básicos da sobrevivência humana. Falta-lhes alimento básico, moradia, educação básica, assistência social mínima, acesso mínino ao tratamento da saúde, etc.etc..
Quando olhamos o mundo por este lado vemos como o ser humano é egoísta, desumano e perverso. Até agora efetivamente ninguém conseguiu mobilizar governos, bancos centrais, candidatos, etc. para os problemas mencionados. Ninguém foi ainda capaz de buscar um PROER para a pobreza. No Brasil, por exemplo, gasta-se R$ 170 bilhões por ano com pagamentos de juros da dívida e apenas R$ 15 bilhões com a bolsa família? Por que os números não são invertidos.
Acho que a filosofia do GERSON precede a todas as teorias sobre o comportamento humano. Apesar de criticado, ele teve a coragem de dizer o que pensamos, mas não temos coragem de dizer: levar vantagem em tudo.
 
Economistas Professor da UI e da PUC-MG