Não sou nenhum filósofo e muito menos um analista
social de elevada formação, mas causa-me mal estar ao ver a covardia dos
homens e suas atitudes perante as diversas situações nas quais ele é
chamado a dar sua contribuição.
O mundo financeiro e o mundo capitalista não têm
dormido nos últimos dias em função da crise, que já era anunciada e
esperada, no mercado norte-americano. Da noite pro dia, desesperaram-se os
grandes aplicadores das bolsas de valores, os especuladores de moedas
internacionais, os especuladores das melhores taxas de juros para
rendimentos de seus capitais. Alguns empresários também começaram a ter
mais incertezas quanto ao retorno e as possibilidades de investimentos em
andamento ou programados para o curto prazo.
Como se tratava do mundo financeiro deixou-se de lado
as discussões sobre a filosofia econômica e política sobre a atuação do
governo. De uma hora para outra não estava em pauta a discussão sobre mais
liberalismo ou mais intervenção do governo. O que se procurou foi
utilizar, uma vez mais, o setor público para preservar seus capitais. De
repente, o setor público que era, em diversos países, o mau de suas
debilidades econômicas e financeiras passou a ser a solução de seus
problemas. Nos Estados Unidos, a campanha política presidencial deixou de
ser o fato mais relevante para o país, e os noticiários e as discussões
voltaram-se para o problema da crise financeira e das discussões sobre como
resolvê-los.
Rapidamente os grandes aplicadores financeiros e os
grandes capitalistas conseguiram coisa não muito fácil de realizar: uma
mobilização mundial, envolvendo bancos centrais de diversos países. Num
período rápido, também sem precedentes, fez com que os governos dos
países canalizassem recursos financeiros, a maioria deles de origem
tributárias, para salvar seus capitais.
O grande apelo apresentado para tal fato tem sido a
possível recessão nas atividades econômicas americanas e, por
conseguinte, nos demais países que participam mais ativamente do mercado
internacional.
Apesar de ter noção dos efeitos que a crise
financeira americana pode provocar sobre a economia mundial, a pergunta que
se deve fazer é a seguinte: efetivamente quem perde com esta crise?
Seguramente os países pobres, os pobres americanos, os
africanos miseráveis, os nordestinos e os favelados brasileiros sofreriam apenas
os efeitos residuais desta crise.
Entretanto, esses indivíduos e uma grande parte da
população brasileira e mundial vêm, há anos, sofrendo pela falta dos
elementos básicos da sobrevivência humana. Falta-lhes alimento básico,
moradia, educação básica, assistência social mínima, acesso mínino ao
tratamento da saúde, etc.etc..
Quando olhamos o mundo por este lado vemos como o ser
humano é egoísta, desumano e perverso. Até agora efetivamente ninguém
conseguiu mobilizar governos, bancos centrais, candidatos, etc. para os
problemas mencionados. Ninguém foi ainda capaz de buscar um PROER para a
pobreza. No Brasil, por exemplo, gasta-se R$ 170 bilhões por ano com
pagamentos de juros da dívida e apenas R$ 15 bilhões com a bolsa família?
Por que os números não são invertidos.
Acho que a filosofia do GERSON precede a todas as
teorias sobre o comportamento humano. Apesar de criticado, ele teve a
coragem de dizer o que pensamos, mas não temos coragem de dizer: levar
vantagem em tudo.
Economistas Professor da UI e da PUC-MG