29/09/07
Eugênio e Oscar pretendem acabar com Plantão 24 Horas, mas Hospital resiste
Servidores da Saúde são convocados a irem à Câmara para apoiar secretário e, insuflados, pedem CPI do hospital
 
A direção do Hospital Manoel Gonçalves deu entrevista na quinta-feira para rebater as inúmeras acusações feitas pelo prefeito Eugênio Pinto e o secretário de Saúde, José Oscar Junior. As acusações contra o Hospital tiveram início há meses.
 
Enganar a população. É isto que o prefeito de Itaúna, Eugênio Pinto, e o secretário de Saúde, José Oscar Junior, têm feito para derrubar a administração do Hospital Manoel Gonçalves. Contam mentiras, arranjam "provas" de má administração, fazem o povo de bobo. O prefeito e o secretário, mesmo sabendo que estão contando mentiras, insistem em destruir o trabalho do Hospital Manoel Gonçalves perante a população itaunense e da região.
Alguns meses atrás iniciaram a campanha contra o hospital itaunense alegando que ele pagava contas para as clínicas e laboratório que prestam serviços terceirizados. Tentaram abrir uma auditoria no Hospital, mesmo sabendo que não tinham motivo ou poder para tal. Motivo porque o Hospital presta contas à Prefeitura todos os meses e suas contas nunca foram reprovadas. Não conseguiram o intento e passaram para outra estratégia: deixar o Hospital sem dinheiro para a folha de pagamento dos funcionários e pagamento de fornecedores.
O prefeito e seu secretário gostam de dizer que fazem repasses com dinheiro da Prefeitura para o Hospital. Mentira. Os repasses vêm do Ministério da Saúde e são pagamentos pelos atendimentos que o Hospital faz pelo SUS. Pagamento por serviços prestados, não por repasse de verba.
O repasse que deve ser feito pela Prefeitura também não é nenhuma caridade. É o pagamento pelo serviço do Plantão 24 Horas que, apesar de estar instalado no Hospital Manoel Gonçalves, é serviço municipal, com responsabilidade do gestor, ou seja, do prefeito em exercício.
 
Demora no repasse do pagamentos do SUS
Para conseguir destruir a reputação do Hospital, a secretaria de Saúde não faz o repasse do pagamento do Governo Federal em tempo hábil para o cumprimento das obrigações financeiras do Hospital. O SUS repassa o dinheiro entre os dias 4 e 5 de cada mês. O dinheiro fica na contabilidade da Prefeitura e há quatro meses é entregue ao Hospital com muito atraso. Deveria ser repassado até o 10 dia de cada mês em condições normais.
Até a data de hoje, 27 de setembro, o repasse referente ao mês de agosto não foi de todo feito. E o dinheiro não é da Prefeitura e sim pagamento do SUS para o Hospital. Eles mentem tão descaradamente que, recentemente, dia 19 de setembro, foram para a TV e falaram que não deviam nada ao Hospital. Então, depois da entrevista, fizeram um repasse à noite, de 50 mil reais. Mas o total a ser repassado era de 318 mil reais. Acredita-se que a Prefeitura esteja usando o dinheiro para quitar a própria folha de pagamento.
 
Plantão 24 Horas é serviço da Prefeitura
O Plantão 24 Horas apenas funciona no Hospital Manoel Gonçalves, mas não é de sua responsabilidade. Quando foi criado funcionava no INSS, depois foi transferido para o Hospital em acordo entre as duas partes, mas toda a despesa é da Prefeitura.
Desde 1997 o contrato com o Hospital para manter o Plantão 24 Horas em seu prédio era automaticamente renovado e este contrato terminou em 31 de maio deste ano, 2007. Foram muitas as tentativas de renovação por parte do Hospital, mas a Prefeitura não quer nem ouvir falar.
O secretário José Oscar, segundo o Hospital, disse que sabe que o contrato está vencido, mas que não tem interesse em renovar o contrato para manter o Plantão 24 Horas.
Mas a população não sabe de quem é o plantão, acha que é de responsabilidade do Hospital, e a Prefeitura não tem interesse algum em assumir a verdade e ainda alega que não tem dinheiro para bancar o serviço.
O Hospital, por sua vez, não quer parar o atendimento mesmo pagando com seus próprios recursos, porque conhece a importância do atendimento do plantão para a população de Itaúna. Então, vai acumulando prejuízos por bancar uma conta que não é sua e, ainda por cima, ficam prefeito e secretário falando de má administração no Hospital. Em todas as cidades os serviços de emergência e urgência são de responsabilidade da administração municipal.
Quando o plantão foi para as dependências do Hospital a Prefeitura contratou o serviço para atendimento de 2.500 pessoas, hoje são em média 8 mil atendimentos mensais.
 
CTI tem prejuízo de 45 mil mensais
O CTI é outro problema sério que o Hospital administra. Quando o serviço foi criado, ainda na época do prefeito Osmando Pereira da Silva, foi assinado acordo de que a Prefeitura pagaria mensalmente 29 mil reais e cobriria possíveis débitos do CTI.
Naquela época eram 4 leitos e o trato de pagamento de déficits só foi cumprido no primeiro mês. Hoje são 10 leitos e o repasse mensal da Prefeitura é de apenas 35 mil reais e o prejuízo mensal é de 45 mil reais.
O custo da diária do CTI, um dos menores do Estado, é de 650 reais e o SUS repassa apenas 205 reais. Este contrato acaba em 31 de dezembro deste ano e a Prefeitura pode se negar a renová-lo, mas o Hospital não pretende parar com o serviço.
Os representantes do Hospital dizem que o CTI era um sonho dos médicos e da população, e que não pode ser interrompido.
 
Quais são as intenções do prefeito?
Desestabilizar financeiramente o Hospital e passar a imagem de que é mal administrado. Mas por que? Porque quer fazer política com a saúde da população, porque o Hospital é dirigido por um irmão do deputado Neider Moreira, Dr. Lincoln Moreira, e ainda porque outro irmão do deputado, Silmar Moreira, pretende concorrer às eleições no próximo ano.
 
José Oscar faz novas acusações na Câmara
Na terça-feira, servidores municipais foram intimados a encher as galerias da Câmara para ouvir o secretário de Saúde fazer as mais indescritíveis acusações contra o Hospital. O mais grave é que ele sabe que mente, mas ainda assim tem a coragem de continuar suas acusações.
Entre muitas acusações, duas são as mais graves: a de que a Unimed estaria usando a ambulância do Hospital para transportar seus associados e, a pior e mais falsa, a de que o Hospital estaria aplicando dinheiro na Bovespa - Bolsa de Valores do Estado de São Paulo. A duas foram desmentidas pelo provedor, dr. Lincoln Moreira.
Sobre a ambulância, o provedor explicou que a obrigação de comprar ambulâncias é do Município, mas que, ainda assim, o Hospital adquiriu duas. A Prefeitura paga apenas o motorista e a gasolina. Ao Hospital cabe o custo mais alto, o de manutenção. Dr. Lincoln lembrou que recentemente duas ambulâncias se envolveram em acidentes e o Hospital teve que pagar o conserto. Quando a Unimed precisa de uma ambulância e o Hospital pode cedê-la, o motorista é da Unimed que ainda paga por quilômetro rodado. Este pagamento acaba ajudando ao Hospital nos custos de manutenção das ambulâncias.
Quanto à aplicação de dinheiro na Bovespa, a contadora do Hospital, Gislaine Andréia, ficou surpresa com a acusação e ligou para Bovespa onde conversou com uma pessoa chamada Fiori. Fiori explicou que não há dinheiro do Hospital na Bolsa. O que existe é que há alguns anos o Hospital pediu um empréstimo bancário. O banco buscou este dinheiro na Bolsa de Valores, coisa corriqueira no sistema financeiro. Por isto o nome do Hospital continuou no cadastro da Bolsa, mesmo depois do empréstimo ter sido quitado.
- Quem dera se tivéssemos dinheiro lá, disse Gislaine, daria para pagar algumas coisas...
O próprio secretário de Saúde sabe de tudo isso, o prefeito talvez não, não conhece sistema financeiro, mas José Oscar sabe e ainda assim usa do pouco conhecimento da população sobre alguns assuntos para destruir o nosso único Hospital. Mas se esta diretoria do Hospital se afastasse, a Prefeitura daria conta de manter o Hospital em funcionamento? Não tem dado conta de administrar a cidade...
Transformar o Hospital em municipal é outra idéia megalomaníaca do prefeito que ouve isso de alguns assessores que ele considera inteligentes e acredita na possibilidade. Não conhecem nada de lei e acham que o Hospital não tem um Estatuto. O porquê de toda essa picuinha que acaba prejudicando a população, é o que queremos entender.
Quando dizem que não têm interesse e nem dinheiro para manter o Plantão 24 Horas, única esperança de uma consulta, um socorro médico de grande parte da população, não entendemos então outros enormes gastos que não beneficiam tanto a população, como mais de R$ 1.000.000,00 gastos em comunicação, mais de R$ 1.000.000,00 gastos em pesquisa, R$ 2.593.000,00 gastos com informática, centenas de milhares de reais gastos com consultorias para fazer o trabalho dos servidores já contratados pela Prefeitura e que já recebem para isso, e por aí vai. Milhões gastos desnecessariamente, em nossa opinião, mas o prefeito não paga a sua dívida com o Hospital. Não lhe entrega o dinheiro que é seu e vem como pagamento do Governo Federal, em dia e ainda por cima não faz o repasse dos serviços de sua responsabilidade, o Plantão 24 Horas que, mesmo no vermelho, o Hospital vem bancando porque não quer deixar que a população itaunense morra sem atendimento e vire notícia como acontece em outras cidades, como vemos quase todos os dias na televisão.
Por que tanta maldade justo com o povo mais pobre que o elegeu confiando que ele olharia por ele?